Soneto do Piranji

Sob as fímbrias da bruma, evanescente
no esplendor da manhã, as orvalhadas
veredas entre plumas, maduradas
no verdor dos brejais. E, de repente,

canta a festa das asas, alto e rente
à etérea curva azul de outras estradas:
claro sonho de nuvens, transcendente
das imagens de argila, eternizadas

em manhãs da memória. ( Se a raiz
chega ao fundo do ser, ou brilha a prata
das escamas dos peixes nos jiquis,

em redes da alma as tímidas certezas
retêm , ciência da vida, só a abstrata
luz de luto da flor das baronesas.)