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“PERNAMBUCO
MOSTRANDO PARA O MUNDO”
Por
quase todo o decorrer do Século XX, a Rádio Jornal do
Commercio mantinha em seu prefixo programático o slogan: “PERNAMBUCO
FALANDO PARA O MUNDO”. Até hoje isso serve de comentários
do quanto os pernambucanos são orgulhosos das grandezas e potencialidades
de sua terra.
Agora, surge a Editora Novo Horizonte, sob a liderança de Lourdes
Nicácio, essa desbravadora, competente e dedicada acadêmica
e escritora, aliada à sua filha, a também eficiente profissional
do jornalismo e da eletrônica, Raphaela Nicácio inaugurando
nesta noite memorável o Site Portal dos Escritores Pernambucanos.
Trata-se de uma grande abertura jornalístico/literária
que trará para todos nós, usuários da caneta e
do computador, a oportunidade de expelir de nossas mentes as inspirações
prosaico/poéticas que tanto nos conforta e satisfaz.
Entretanto, desta vez, graças à universalidade da eletrônica,
o slogan da antiga rádio vai ser visto neste Portal de forma
diferente, ou seja: PERNAMBUCO MOSTRANDO PARA O MUNDO. As nossas colunas
eletrônicas neste Site veicularão, no infinito da Internet,
os nossos trabalhos, abrindo um canal de comunicação imensurável,
sem contiguidade física e sem a interveniência de lideranças
oportunistas. Serão mensagens internacionalizadas e a quem interessar
possa.
Estaremos expostos a críticas e elogios. Saibamos mensurar a
repercussão do nosso labor literário. Que tenhamos a iniciativa
de fazer da crítica o pedestal de melhoras e que o incentivo
das pesquisas nos leve à busca do aperfeiçoamento. Quanto
aos elogios, que estes estimulem o nosso ego, sem, contudo, empurrar-nos
para o abismo das vaidades excessivas.
O intercâmbio das comunicações eletrônicas
não terá o simples papel de entretenimento, apenas. Será
o canal das nossas mensagens buscando as decodificações
e respostas dos inúmeros receptores, do Brasil e do mundo.
Os escritores pernambucanos, notadamente os vinculados à UBE
e às Academias do Recife, de Olinda e de todo o Estado, até
mesmo os iniciantes ainda não vinculados a instituições
literárias, estamos de parabéns com a grande abertura
dessa comunicação.
É realmente incomparável o gigantismo das produções
literárias nesta nossa região nordestina. Os oceanos abissais
que nos separam do Brasil dito evoluído do sul maravilha, já
não conseguem afogar as nossas ideias: saímos das canoas
furadas dos mares terrestres e entramos no ultraleve veículo
dos satélites espaciais. A discriminação contra
o Nordeste é muito forte. A raça dos nordestinos é
gigantesca. Os grandes conglomerados de editoras abaixo da Bahia continuarão
a privilegiar os famosos de carteirinhas. Entretanto, a concentração
de computadores é bem maior por lá do que por aqui. O
nosso Portal tem passagem livre para entrar nas mansões e nos
palacetes. A força da juventude é inquebrantável.
Navegar para os jovens não significa apenas cruzeiros marítimos.
A Internet é o barco preferido. A curiosidade tem forças
de gigante. A nossa linguagem aguçará essa curiosidade,
sem dúvidas.
As novas exigências para os futuros vestibulares indicam o domínio
da cultura geral. Não são apenas os livros de escritores
famosos os indicados. A abrangência é bem maior. As técnicas
do romance, da crônica, do conto, do ensaio e da poesia serão
exploradas nas universidades. O domínio do conhecimento, oriundo
dos livros, é bastante enriquecido com o cabedal eletrônico
do computador. Os jovens bem o sabem. Os mais vividos, as crianças
antigas, como eu, encontram no monitor um naipe de informações
palatáveis para os variados sabores do conhecimento. O nosso
Portal será, de agora em diante, um componente desse naipe.
Os links são variados. Estudantes, poetas, professores e demais
pessoas encontrarão em nosso Portal uma fonte abrangente de informações
preciosas.
É bastante salutar para todos nós uma iniciativa como
esta. A visão das empreendedoras deste evento excede, em muito,
a trivial comodidade daqueles que se conformam com as precárias
delimitações do nosso espaço artístico/cultural
reduzido ao magro limite do nosso município.
O galope do cavalo alado da informática não permite cansaço,
nem tampouco, a lentidão característica dos que viajam
sob a tração dos animais.
Vamos adiante. No meu caso, buscarei nas sertanidades da vida os dados
informativos para a minha coluna virtual. Tentarei vivificar, dentro
das minhas limitações, a linguagem do semi-árido
nordestino para que o falar brasileiro seja uníssono no seu entendimento
e mais rico nos seus regionalismos. Espero uma inter-relação
saudável e alvissareira. |
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DIETA
SERTANEJA.
__________________Carlos Severiano Cavalcanti
No sertão nós
comemos tapioca,
jerimum, feijão-gordo e milho assado,
maxixada e farofa com guisado,
carne seca moída na paçoca,
milho quente dançando na pipoca,
o tutano a brilhar sobre o pirão,
mamão verde no falso camarão,
carne assada comida com angu,
café quente tomado com beiju
logo após de um gostoso rubacão.
Saboroso cuscuz (ralando
o milho)
e depois, borrifado em leite quente,
comida natural de nossa gente,
as espigas ligadas pelo atilho.
Sobremesa crocante do sequilho,
mel de abelha por cima do cará,
a terrina esborrando munguzá,
no domingo a famosa panelada,
manhã cedo a tigela de umbuzada,
mel de furo, castanha e corrumbá.
Mariola, jabá e macaxeira,
o pirão degustado na buchada,
o sabor destacado da cocada,
água doce apanhada na biqueira,
goma pura e farinha sem crueira,
bode assado, e também raspa de queijo,
deixa a boca repleta de desejo
nessa vasta dieta do sertão,
sem falar na panela de capão,
mesa farta a do nosso sertanejo.
A famosa galinha cabidela,
o gostoso feijão baião de dois,
onde a carne cozida com arroz
faz o cheiro emanar lá da panela.
A banana adoçada e com canela,
fava branca cozida e temperada,
jerimum machucado na coalhada,
sem deixar de comer queijo de coalho,
batata doce assada no borralho
e leite no curral de madrugada.
A farinha
de milho no feijão,
a canjica e a pamonha no jantar,
pé-de-moleque bom de paladar,
café preto batido no pilão,
charque assada e farofa de bolão,
o sabor dessa mesa é inconteste,
a nossa culinária se reveste
das melhores riquezas naturais,
nossas frutas e nossos vegetais
são manjares na mesa do Nordeste.
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