Nasceu em Campina Grande, Paraíba, mas erradicou-se no Recife-PE, onde mora há muitos anos. Filha de Agenor Vasconcelos e Maria de Lourdes Cordeiro de Vasconcelos . “De meu pai herdei o espírito combativo, de luta, ele que é reconhecido com um dos grandes empreendedores daquela cidade paraibana. De minha mãe, o gosto pelas letras. Para minha formação, eles fizeram um casamento perfeito!”

A literatura, em particular, a poesia, tem sido sua armadura para explorar o mundo desde os anos da adolescência. Os poemas estão registrados no famoso “caderninho” e foram escritos atravessando a garoa nas auroras da serra da Borborema. Deixou Campina Grande para fazer o curso de medicina no Recife, cidade-mãe por adoção. Dedicou-se ao oficio de curar os males do próximo, particularmente dos mais humildes, e esta experiência fez crescer o interesse pelo “drama humano” já despertado através da poesia.

Casada, mãe de três filhas “três mulheres diante do desafio da vida”, como registrou na dedicatória de seu primeiro livro “Cio das Águas”. Na década de 80 freqüentava as rodas literárias do Pátio de São Pedro, unindo-se ao grupo dos poetas “Clube dos 13”, momentos eternizados nos seus versos: o éter da poesia reparte-se/em torno da távola quadrada do Bangüê / entre cavaleiros mediúnicos / recompondo o tecido roto do tempo / no tear de pedra e céu / do átrio pátrio do pátio.

O fruto destas tertúlias literárias está na coletânea “Poesia de Circunstância” publicada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de PE (FUNDARPE), em quatro volumes (1999). ”Eram tempos de muita efervescência literária (conta a poeta) que inspiraram o surgimento do tablóide denominado Tempo Mulher dedicado à produção literária feminina da cidade do Recife e do qual fui uma das editoras”.

Poeta participante de várias antologias, a primeira das quais “Presença Poética do Nordeste” (Editorial do Nordeste, 1988). Sua poesia era voltada, nesta época, para a preocupação com o social dês que como médica assistia todo o drama humano dos menos favorecidos: da inutilidade do meu canto / da inutilidade do meu pranto/ da inutilidade do meu gesto/ minha face estúpida/ meus olhos cegos / minha boca inerte/ minha vingança inútil.

Do seu livro intitulado Cio das Águas (Ed. Bagaço – 1989) a poeta comenta: “são poemas frutos da experiência e do espanto da mulher diante do mundo, expressões do modo feminino de conviver com os sentimentos diante do outro”
A partir daí, buscou encontrar na poesia um instrumento da história escrita por personagens que pela rebeldia fizeram a defesa das minorias. Foi assim que nasceu o terceiro livro cujo motivo foi o herói da resistência negra Zumbi dos Palmares que dá título à obra.

Produto de extensa pesquisa sobre o Quilombo de Palmares, o livro é estruturado a partir de um roteiro de todos os fatos e personagens envolvidos no maior movimento de resistência ao regime escravocrata em Pernambuco. Segundo a autora, trata-se de “história transfigurada em poesia”.

Selma Vasconcelos transita por outros gêneros literários, sendo autora de ensaios sobre poetas maiores de Pernambuco e do Brasil, como Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Adélia Prado, publicados em revistas de letras e jornais de circulação nacional.

Conferencista em Congressos Literários e eventos de repercussão nacional como a Bienal Internacional do Livro e Festival Literário de Porto de Galinhas, Festival Literário da cidade do Recife.
Intelectual sintonizada com seu tempo é autora de artigos para jornais pernambucanos e de outros estados. Médica, professora da Universidade de Pernambuco. Na literatura dedicou-se, nos último oito anos, à pesquisa sobre “o homem” João Cabral de Melo Neto,” “movida pelo sentimento de que devo resgatar para Pernambuco a memória do poeta que fez desta terra a referencia de toda sua obra , considerada uma das mais importantes da literatura mundial”. A pesquisa foi conduzida através de entrevistas com intelectuais, familiares e amigos do poeta, e ainda, em fontes documentais , ou seja, a correspondência pessoal do poeta que representou outra etapa do projeto e está registrada em mídia digital.

O resultado é o livro João Cabral de Melo Neto- retrato falado do poeta . Participante de várias coletâneas, entre elas, a trilogia de contos, poesia e crônicas editadas pela Bagaço (O conto, A poesia e A crônica feminina em Pernambuco.

Como médica e escritora é membro da Sociedade de Escritores Médicos, bem como da Academia de Artes e Letras do Nordeste e da União Brasileira de Escritores.
Livros inéditos: Liturgia da Paixão (poesia), No curso da História (coletânea de artigos jornalísticos).