Participe! |
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O
Último Coaxar |
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| Si
Cabral |
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Era noite, noite fria, um resto de inverno. Chuva fina, molhando o capinzal onde centenas de rãs coaxavam alegremente. Saudavam a noite que lhes trazia o alimento, milhares de insetos de hábitos noturnos à procura de comida ou talvez de acasalamento. E coaxavam as rãs. O coaxar das rãs diz alguma coisa aos ouvidos humanos? O coaxar das rãs merece algum elogio? Desperta algum sentimento, uma vaga lembrança que seja... Alguém sentirá falta de ouvir o coaxar das rãs? Enquanto algumas paravam para devorar os insetos, outras continuavam a cantoria e assim era a vida, calma e serena. Durante o dia, o capinzal frio e macio, entremeados de raios dourados de sol, abrigo seguro, num silêncio sem tamanho. A noite, palco de espetáculo, a cadeia alimentar em plena atividade. Ninguém por testemunha, tudo abafado pela escuridão noturna, e o coral das rãs, até que o dia surgisse e tudo se aquietasse. As noites poderiam ser iguais, mas o dia não! O dia traz o sol, os homens e seus trabalhos. O dia trouxe um homem, que veio com sua máquina poderosa, cuja voz era um troar ensurdecedor. E foi um dia de horror! A máquina passava sob o capinzal destruindo o abrigo seguro das rãs. Assustadas, aos pulos, tentavam salvar-se do monstro de ferro. Eram agarradas em pleno ar, pelas garças que esvoaçavam em torno do trator. Era um bando com mais de trinta garças! Não havia escapatória, era morrer esmagada ou engolida pelas aves, que pareciam íntimas do trator, tal a tranquilidade com que se aproximavam da máquina. O tratorista indiferente, prosseguia no seu trabalho, indiferentes, também, os pedestres e as pessoas motorizadas. No fim do dia, nada mais restava do capinzal. O trator parado, silencioso. As aves levantaram vôo e sumiram no espaço. Agora uma grama bem cortada, rasteira, verdinha escondia o rastro da morte e chamava a atenção das pessoas, pela beleza do ambiente, era o Campus da Universidade Federal de Pernambuco. Até que enfim, ( disse alguém) esse mato horroroso estava tomando conta de tudo!
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