Participe! |
|||||||
Extinção |
|||||||
| Tarcísio
Barreto Campello |
|||||||
Voava muito alto e, após saborear o fruto, abriu o bico e a semente caiu de grande altura e enterrou-se no solo. À noite uma chuva caiu sobre a mata e em encharcou o solo. Então, estes três fatores coincidentes – a fome do pássaro, a altura da qual soltou a semente, fazendo-a enterrar-se e a água que molhou o solo – causaram o milagre da germinação e, dias após, um pequeno broto aflorou à superfície. Cronos continuou a desenrolar o seu fio e, agora, já existia um arbusto. Depois transmudou-se em árvore que crescia, crescia, até que adquiriu a majestade de um grande gigante e frondoso vegetal. Anos após, um metal afiado, preso a um cabo de madeira e manejado por um homem robusto e insensível, desferiu o primeiro de uma série de golpes no tronco da árvore. A seiva – sangue vegetal – jorrava a cada golpe do machado. Lascas de madeira – carne feita de fibras – saltavam no ar a cada investida do assassino. Metade do tronco já não existia, deixando à amostra a grande ferida, a amputação feita no vegetal. Mais outros golpes se seguiram até que, com um estalo, um rangido – grito de moribundo – a enorme árvore se inclinou e, partindo-se, tombou morta ao solo. Outros homens, simultaneamente, agiram da mesma forma, até que, o que fora uma bela floresta era, agora dividida em pasto para o gado e campo de cereais. Cronos continuou sua marcha e a ganância dos homens destruiu florestas para vender madeira, criar gado e plantar cereais. E este funesto costume continuou em um crescendo. Eram machados, moto-serras, correntes com tratores, devastando tudo. Muitos anos após,
em uma gigantesca metrópoles, em um apartamento de onde somente
se avistavam outros grandes prédios – uma criança
olhou um quadro na sala de estar e perguntou à sua mãe
o que era o conteúdo da tela. A mãe respondeu, então:
“filho aquilo é uma árvore”.
|
|||||||