União
Brasileira de Escritores – UBE-PE |
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| Raphaela Nicácio | |||||||||||||||||||||
Ouvir poesias, contos, assistir a apresentações artísticas e ainda saber das notícias culturais que acontecem na cidade. Tudo isso sentado ao ar livre entre o casarão, sede da UBE, e um vagão de trem, localizado nos jardins da casa, denominado Estação Cultura, a Livraria do Escritor Pernambucano, em que os autores expõem suas obras. O encontro Quarta -às-Quatro acontece durante todas as quartas-feiras, da semana, às 16h. Os autores se reúnem, na União Brasileira de Escritores – UBE, para apresentarem seus trabalhos literários. Mas toda essa efervescência cultural que há na UBE-PE vem sendo marcada por uma extensa história de lutas e conquistas. A instituição começou a dar seus primeiros passos , em 1948 , quando o artista plástico Abelardo da Hora inaugura, em sua primei- |
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ra exposição, a Associação de Arte Moderna
de Pernambuco e a Associação Brasileira de Escritores,
a ABDE, com o objetivo de congregar os autores e artistas plásticos
da região. |
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Nas primeiras reuniões, participaram: Gilberto Freyre, Mauro Mota, Lucilo Varejão, Paulo Craveiro, entre outros escritores. Em pouco tempo, a ABDE tornava-se conhecida e respeitada pela sociedade da época. A ABDE durou até 1960. A instituição já estava enfraquecida, desde 1950, por questões de divergências políticas. Durante esse período, o escritor Paulo Cavalcante toma conhecimento da UBE de São Paulo, que foi a primeira fundada no país, resolvendo, assim, transformar a entidade em UBE-PE. No dia 14 de fevereiro de 1961, o escritor assume a primeira presidência da instituição. Sem sede própria, a UBE se reuniu em diversos locais que foram desde a AIP – Associação de Imprensa de Pernambuco, Sindicato do Comércio, Espaço Pasárgada a antiga e extinta livraria Livro 7. Durante a época da Ditadura Militar, a instituição ficou parada por 20 anos ( 1964-1984). Os seus membros se reuniam secretamente. O período foi marcado pela falta de democracia, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. O presidente Paulo Cavalcanti e Abelardo da Hora chegaram a ser presos. |
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“Geralmente, quem participava do grupo eram os de esquerda que não aceitavam as ideologias de direita, daquela época. A literatura era altamente vigiada. Nos reuníamos em uma sala escura porque era proibido. Tudo tinha que ser feito no anonimato, senão éramos presos”, afirma o professor e escritor, membro fundador da UBE, José Bezerra de Lemos que também foi preso ao apresentar, no Teatro Popular do Nordeste, a peça teatral “Funeral da Ilha de Maruim, canção da terra”, sem autorização. Lemos ainda revela que para haver comunicação entre os escritores presos, o sigilo era fundamental. “Quando era preso um de nós, não podíamos visitá-lo. Então, nos comunicávamos através do jornal Diário de Pernambuco e do Commercio que publicavam os poemas que fazíamos, com pseudônimos. Era uma espécie de recado.O companheiro preso lia na hora do julgamento e fazia um |
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sinal de que tinha entendido a mensagem”.Mesmo havendo restrições
e risco de serem denunciados, alguns escritores persistiam em continuar
se reunindo. “Fazíamos isso tudo por amor à literatura
e até mesmo para provocar, porque tínhamos que manter
acessa a chama da liberdade”, afirma o escritor Olímpio
Bonald, também membro fundador, ex - presidente da instituição,
sendo hoje Presidente Emérito. |
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Mas em 1984, a UBE ressurge. O escritor Potiguar Fagundes de Menezes, da Academia Brasileira de Letras, convida os escritores da Associação Brasileira de Escritores e da UBE - PE para se reunirem, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB – PE) com o objetivo de reativar a UBE do Estado. Sua atual sede foi adquirida em regime de comodato. A prefeitura cedeu a casa por um período de 10 anos, renovando, em seguida, para 50 anos. Em 23 de dezembro de 1992, a pedido do sócio Tarcísio Requeira, o prefeito da cidade do Recife, Gilberto Marques Paulo, concede a posse definitiva do local. |
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“A
casa foi entregue quase em ruínas. Para restaurar foi preciso
a ajuda de muitos, orientação técnica, apoio da
imprensa e de amigos. Também tive a oportunidade de colaborar
nesse processo”, afirma a escritora e membro do órgão,
Adiuza Belo, que está escrevendo o livro “Da rua da Imperatriz
ao Passo do Fidalgo - UBE-PE meio século de história”
que aborda desde o surgimento da instituição aos movimentos
e fatos culturais que a acompanharam. |
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Hoje,
a sede possui uma “Galeria de Arte Joaquim Cardoso” com
obras doadas por artistas plásticos do Estado, uma “ Biblioteca
Esmaragdo Marroquim” com obras dos membros, a “Sala do Escritor
Paulo Cavalcanti” onde os sócios se reúnem e um
vagão de trem, nos jardins da casa, denominado “Estação
Cultura, a Livraria do Escritor Pernambucano”, em que os autores
expõem suas obras. Além dos encontros Quarta-às-Quatro,
a UBE promove, ainda, outras atividades culturais, como Jardim das Letras,
programas em parceria com as livrarias Saraiva e Cultura, lançamentos
de livros, homenagens, cursos e oficinas literárias. |
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