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Lúcio Ferreira nasceu no Recife, Pernambuco. Bacharel em Ciências
Econômicas, pela Universidade Federal de Pernambuco. Funcionário
aposentado do Banco do Brasil. |
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| Escritor e poeta premiado pela Academia Pernambucana de Letras e outras instituições culturais. Seus livros são bem recebidos pela crítica especializada. Publicou os livros de Poesia: Um olhar para Cada Coisa; Exercício do Sentir; As duas Extremidades da Luz ;Linhas do Tempo (Hai – Kais);Uma Porta Para Dentro da Pedra; As Reticências dos Sonhos; Estas Coisas Cá de Dentro; Um Pouco Antes da Chuva; Às margens de um rio cereal; Epitalâmios para Elza; Um corte além do fio. Foi co-autor de “Reescrevendo Contos de Fada”, ficção. Participou de várias antologias. Faz parte da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro, da Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, da Academia Recifense de Letras, da Sobrames-PE e da União Brasileira de Escritores – UBE, Pernambuco. Pela sua contribuição à Piteratura Pernambucana, foi homenageado pela União Brasileira de Escritores – UBE-PE, na Livraria Cultura, 2009, quando vários autores apresentaram depoimentos sobre sua vida e obra, a exemplo da escritora e poeta Lourdes Nicácio, de quem registramos algumas das suas palavras de homenagem: “ Contemplada sinto-me pela oportunidade de também prestar homenagem a um dos mais incansáveis poetas dos nossos tempos: acadêmico Lúcio Ferreira. Um privilégio reconhecer-me como uma das suas não poucas amigas irmãs. Lúcio divide com todos os amigos sabedoria, humildade, páginas luminosas de seu mundo-viver. Filhos, netos, uma esposa tranquila, sorridente, quase menina. Elza, Lúcio, os noivos e a canção dos altares. Um casamento renovável entre flores de laranjeiras, salmos recém-criados todas as manhãs. Um bule de chá ou café quentinho, quentinho. Torradas, doces caseiros, sucos, figos, pratos coletivos abastecem a mesa. Completo aqui com suas palavras: ”E põe a mesa a qualquer hora do tempo”. Visitá-los é preparar as varandas da alma, refrigerar-se com o farfalhar das plantas no quintal, o canto espontâneo dos pássaros afilhados do casal. Assim vivem em sua casa-grande no bairro da Iputinga. Assim recebem os amigos. Cadeiras de vime recheadas de espumas – as cadeiras trono denominadas – são reservadas aos amigos. Lá, somos todos príncipes e princesas, reis e rainhas. Não esqueçam, amigos, Lúcio e Elza, de que, também, serão bem-vindos em nosso Império ou Templo-Coração. Viver a sol, este o projeto do homenageado. Assim na UBE, enquanto diretor e membro atual; assim na SOBRAMES, nas academias de letras, na Casa do poeta Waldemar Lopes, na Editora Novo Horizonte, sendo, desta, um dos maiores incentivadores, conselheiros, amigos. Também filósofo, mestre, fazedor de discípulos. Constrói o seu recanto de vida não apenas no Recife e Gravatá, mas nos livros que escreve. Vive a poesia que elabora. Daí a amplidão do gesto, o didático, o educativo, a ressonância. Os travesseiros brancos, os cabelos brancos. Tudo lavado pelos sonhos de quem sonha e realiza com a coragem dos homens construídos. Ele, ele mesmo, Lúcio Ferreira disse que “ o homem construído sempre verá a boa planície e o arco-íris de sua vida. Porque o homem bem construído pode ensinar, ser modelo e espelho para seus semelhantes, Ajuda, compreende e consola seu próximo... Ama e obedece a Deus o homem construído. E, ainda que nunca tenha escrito um verso, foi um verdadeiro poeta, o Homem Construído”.
Baudelaire diz que o homem que só bebe água tem algo para
esconder. Por isso Lúcio bebe poesia, o vinho mais puro que celebra
momentos como este. Daí a explosão do ser em alto percentual
de luz em direção à família, aos amigos,
ao mundo. Um homem preocupado com a poesia como a poesia tem que ser:
a serviço do bem. Ele fala sobre “ conciliar o texto com
os nossos atos. Ter o comportamento do poema, como se ele fosse a guia,
a busca e o grande encontro” e ainda completa: “Eis os termos
da equação – a própria Vida”. No seu
livro “Às margens de um rio cereal” em o belíssimo
“ O Por-do-sol no Guaíba” registra essa preocupação
com a preservação do Belo: “ Se não quiserem
mais o Mundo/ ao menos deixem/ o pôr-do-sol no Guaíba...
/Deixem ao menos um pedaço da serra/ o choro suadoso da terra/
a papoula sangrenta da tarde...” Os vocábulos realizam-se através do jogo intencional do autor. Utiliza o vaivém dos versos – avanços e recuos-, todo um fazer textual a girassol. Sempre em busca da luz. E acontece. Chega a poesia. Na poesia de Lúcio são constantes os espaços longos entre as palavras. A Semiótica explica que o signo pode ser visto, também, através do vazio. Observem no seu mais recente trabalho publicado”Um corte além do fio”. Mas são espaços de alcances alternativos, circunstanciais. Como circunstanciais, dispersos, somos todos nós, complexos, fragmentados seres humanos. Lúcio mesmo fala: “O que foi antes não é mais/ O que virá depois?” ...” Dai-me os fios de vossas vidas, irmãos/ Ajudai-me a juntá-los/ numa lançadeira só/fugidio é o homem/ tão disperso/ e tão diverso”. Falei antes em poesia como vinho essencial à descoberta da boa alma. Tudo a serviço do bem. E Lúcio reanima o mundo, um mundo inteiro a seu dispor: pedras, águas, árvores, pessoas. Todos o observam e aguardam:”Eh, poeta, estamos aqui”. Ele atende. Como exemplo, o poema “Detalhes da Esperança” sobre um homem, quase mendigo, freqüentador, simples, no parque, também publicado no livro ”Um corte além do fio”. Muito obrigada, poeta Lúcio Ferreira. Por nos ensinar com sua poesia a ver “ a boa planície e o arco-íris de nossas vidas”.
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