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Ritmo das águas vivas
Bem dentro de mim
armazenei
do São Francisco ilhas, barcos, capinzais,
cajus, goiabas, peixes , frutos de água doce,
o clima fresco, o cheiro verde , o arrozal.
Moinhos, rodas
d’água, as carrancas,
a pedra, o brilho, os banhos, as roupas brancas,
gestos florais de cachoeiras e águas mansas,
cheiro de argila e bebedouro nas vazantes.
Moitas, arbustos,
diademas de cipós,
sombras da fauna, maretas, faixas de areia,
vitalidade permanente, tanto encanto,
tesouro antigo dos palácios das sereias.
A imensidão
dos campos e rebanhos,
culto aos pastores, agricultores, remeiros,
lições de vida, pores-do-sol, rituais
que o Vale tece como artesão dos milagres.
Sementes, pétalas,
raízes em superfície,
balsas de adubo rastreando as margens ativas.
Daí por que de mim emanam,também, melodias
ou seiva do rio inteiro em ritmo das águas vivas.
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