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das Letras Por Lourival Holanda lourivalholanda@yahoo.com.br |
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| Uma geração “mouse à mão”
Essa parece ser, também, a opinião desse experiente professor e editor que é Plínio Martins. O culto ao livro persiste. Fetiche? O livro – ou seu equivalente, a palavra – sempre estiveram no centro da cultura. E essa moçada que enche os corredores da Bienal está antenada. Ou talvez tenha percebido que o livro, companheiro sempre oportuno, pode nos aconselhar, desafiar, emocionar, ensinar, fazer rir, além de, e mais importante, mudar nossa maneira de enxergar a vida. Cada folha constitui-se num enigma a ser desvendado, principalmente na idade dessa geração. Aí, então, um livro é um encontro; carregado de inesperado, como todo encontro fecundo. Em “A convocação” (de Herta Müller – recém-laureada com o Nobel), uma costureirinha, que faz confecções para a Itália, manda, nos bolsos das roupas, um recado: Ti aspetto (Te espero). Num país sufocado pela repressão (A Romênia), alguém solta um sonho... A Bienal tem um ar de ritual e festa: ritualmente ela volta a cada dois anos; e vira festa, encontro com as novidades, as belas edições. É verdade que ali a gente vai se deparar com muita coisa. O papel, coitado, sofre toda espécie de afronta em nome de “literatura”. Tudo presidido pela lógica de que sobretudo vale vender. Mas, a literatura mesmo, como aquelas mulheres públicas, sabem se emprestar a tantos e só de darem de fato, aos que as amam. Por isso a Bienal é também lugar de surpresas. É possível encontrar a juventude madura de Luís Augusto Fischer reavaliando a dependência de nossa literatura ao eixo Rio-São Paulo – e isso numa linguagem exata, leve e enxuta de quem pensa sem as muitas muletas das citações. (O ano passado, 2008, ele foi premiado com o “Machado e Borges”, pela Arquipélago Editorial, de Porto Alegre). Também vale dizer que é um professor-escritor, desses que se expõem, quando publicam uma narração; como em “Quatro negros” – que a L&PM lanço em 2005. Wellington Melo perguntava o que, entre todas as atrações oferecidas pela Bienal, poderíamos considerar imperdível. Pergunta difícil, cuja resposta dependerá do critério utilizado. Esse evento, como o nome indica, ocorre, infelizmente, só uma vez a cada dois anos. Assim, devemos estabelecer o que é mais urgente – dada a circunstância. Assim, é claro que ouvir Raimundo Carrero, Luzilá Gonçalves ou Lucila Nogueira é muito importante; certamente. No entanto, prata da Casa, esses estão ao alcance da mão – ou do ouvido, quase a qualquer momento. Mas, nem sempre temos um Fábio Lucas falando sobre “O poliedro da crítica”. Ou Roberto Machado revendo a leitura de Deleuze sobre literatura. Creio que também não se deve perder Thiago Corrêa apresentando Daniel Galera e Ana Paula Maia falando sobre as novidades na literatura. Assim como, acredito, muitos vão ouvir o chileno Alberto Fuguet e Marçal Aquino indefinindo-se enquanto literatura, roteiristas, escritores. Também fico querendo dizer: não percam a revisão do legado crítico desse pernambucano presente que é João Alexandre Barbosa. Manuel da Costa Pinto, Delmo Montenegro e Frederico Barbosa têm coisas a dizer. Nem quero insistir no valor dos da Casa; mas é natural que os que hospedamos sejam ouvidos com uma atenção centrada; ainda que nem sempre a raridade da passagem corresponda à raridade da palavra. Seria interessante também expor a produção dos
“novíssimos”; dos que estão, no tempo da festa
da Bienal, trazendo seus versos com a coragem de quem ousa; e que a
gente lê com a ternura satisfeita de ver um movimento de continuidade.
A temporalidade concentrada dos versos de Wilson Bezerra, da Fafire:
“Em meio a uma multidão frenética eu paro Parece ser o risco de uma geração desencantada pela impossibilidade
de vanguardas -- que a descentralização contemporânea
inviabiliza – buscando o próprio talento; e podendo perder-se
em escândalos inócuos. No entanto, eles escrevem. Apesar
e contra. Como se continuassem a crer, ou a querer, que a literatura
seja, de fato, uma tentativa absurda de dar sentido ao absurdo. O começo do sentimento de inadequação ao mundo
pode pedir expressão poética. Os poetas são convocados
a um mundo onde cabem mal. A poesia é uma evidência –
mais que a razão da poesia. Ela é essa outra asa aberta
sobre o real – e o difícil equilíbrio.
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