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PODER DE LINGUAGEM
Esta linguagem entre
linguagens,
poderosa. Quase ave abatida tida
como enigma procura espaço no passo
do passista, no palácio onde o tempo parou,
no antigo para revelar fatos
geradores de novas idéias.
Esta linguagem entre progressos
tecnológicos faz o que a Internet
não faz. Linguagem fundadora,
matriz de sentimentos. Entendimentos
concretizados pela exatidão
expressam o que é sentido pelo ser?
Poderes tem esta linguagem.
Tanto poder tem, que passa
sem ser vista. Está na revista,
no jornal, nas bocas, na publicidade
das ruas. Linguagem pressentida sentida
consumida, aliada de amores lícitos
ilícitos, dos justiçados e injustiçados.
Tem poderes esta linguagem.
Esta linguagem íntima de Neruda,
Lorca, Apolinaire, Drummond,
tão íntima, transforma pedra em pão,
alçapão que prende à distância
almas e armas desgarradas enlaçadas.
Esta linguagem pinta o sete nas avenidas.
e ficamos todos boquiabertos.
Esta linguagem
produziu Manuel
Carneiro de Souza Bandeira, sobre
nome desconhecido das novíssimas
gerações. Esta linguagem passa despercebida?
Na rua da União, no claro dia, um cara
de óculos discursa sem ser visto: Capibaribe!
Capiberibe! Povo e poesia no mesmo barco.
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