Uma Tarde de Sábado no Flinorte 2009
 
               
Cássio Cavalcante
   
 
A literatura pernambucana nunca esteve tão em movimento. Aconteceu no mês de agosto o festival do Recife A Letra e a Voz, agora em setembro o Flinorte, em outubro acontecerá a Bienal, em novembro a Fliporto e o Festlatino, e ainda este ano teremos também um festival em Caruaru.
Sábado, 26 de setembro, fui ao Flinorte. Por volta das duas da tarde cheguei ao hotel Casa Blanca na praia de Pau Amarelo em Paulista. Os chalés brancos, o verde da grama bem cuidada, a claridade suprema do sol, tudo isso me passou um certo clima de Oásis. Subindo uma bela escada de granito preto, que tem um glamour cinematográfico, cheguei ao auditório. A renomada capista Moema Cavalcanti, que já ganhou um prêmio Jabuti e este ano concorre mais uma vez, mostrou muitas de suas capas e as comentou. Compartilhou conosco as suas emoções na jornada de projetos gráficos no mundo literário.
 
         
 
Em seguida, tivemos uma mesa com nossa primeira dama do humor da literatura em Pernambuco, Djanira Silva. Esta escritora tem trabalhos sérios e de muita importância. Mas fazer rir, para ela, é um ato natural como respirar. Nos explicou o surgimento do conto, e depois com trechos de seu livro Deixe de Ser Besta, empolgou a plateia. Também fizeram parte da mesa a poetisa Bernadete Serpa Lopes e poetisa Elisabeth Brandt, presidente da academia de Letras e Artes de Paulista.
A mesa seguinte teve como mediador o livreiro Tarcísio Pereira, contou ainda com as presenças do jornalista e cronista Sérgio Matos e o escritor e editor Edvaldo Arlégo. O tema foi uma velha senhora conhecida do Brasil, a censura: Mídia Controlada no Brasil e no Mundo. O cronista Sérgio nos informou que o primeiro ato de censura em nosso país, vejam só, aconteceu aqui em Pernambuco. Há cerca de trezentos anos toda uma gráfica foi fechada, por editar coisas que não agradavam a coroa.
No terraço do hotel, Arlégo falou com exclusividade para o Portal do Escritor Pernambucano. Nos contou suas impressões sobre o festival que estava acontecendo.
       
Falou que é importante esse tipo de evento, pois mostra nossa cultura, nossa literatura para os convidados de fora. Informou ainda que esteve no primeiro Festival de Inverno, em Garanhuns, na primeira Fliporto e todos até hoje, são um sucesso e espera que o mesmo aconteça com o Flinorte: “Eu fiz parte dos primeiros de todos esses.” E Anunciou que vem aí o Flivasf, o primeiro Festival Literário Internacional do Vale do São Francisco.Entre os palestrantes e convidados o mentor do memorável encontro, Carlos Cavalcante, atendendo a todos com cordialidade.
Tivemos outras atrações no auditório, entre essas, a sempre bem-vinda palavra do intelectual Humberto França. E uma interessante palestra: O Sistema Braille como Contribuição Cultural para a Sociedade Humana, com o Diretor do Centro de Apoio pedagógico a Pessoas com Deficiência, Geraldo Feitosa (Deficiente Visual). No cair da noite a tarde se desfez em um espetáculo de cor, ritmo e percussão. Apresentou-se o premiado Maracatu Piaba de Ouro. Um verdadeiro show, foi surreal, foi pernambucano.
   
             
 
>> Cássio Cavalcante - administrador, cearense, natural de Fortaleza. Pertence a União Brasileira de Escritores – UBE/PE. Tem trabalhos publicados em diversos livros, jornais. Participou da Antologia Contos de Oficina, organizada pelo escritor Raimundo Carrero, e da Antologia das Águas, organizada por Lourdes Nicácio, Ricardo Japiassu, Graça Silva e Raphaela Nicácio. É autor do livro “Nara Leão - A Musa dos Trópicos”, editora CEPE. Organiza os programas culturais “A Cultura e a Arte em Pernambuco” e o projeto “A Ficção em Pernambuco”.