Academia Pernambucana de Letras- APL
Com uma casa que pertenceu ao Barão Rodrigues Mendes,
a APL mantém tradição desde 1901.
 
                   
Raphaela Nicácio
   
 
Pioneira no ingresso de mulheres como Edwiges Sá Pereira, sendo a terceira Academia de Letras fundada no Brasil, a APL renova sua estrutura. No último dia 17/09, foram apresentados ao público os novos jardins, durante a comemoração de aniversário dos 108 anos de fundação da instituição. Prêmios literários também foram entregues.
 
   
 
Na lista dos vencedores de 2008, estão Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho (Prêmio Amaro Quintas), Cici Araújo (Prêmio Vânia Souto Carvalho), Juarez Caesar Maltar Sobreira (Prêmio Antônio de Brito Alves), Antônio Nunes Barbosa Filho (Prêmio Elita Ferreira), Geovania Freitas (Prêmio Dulce Chacon), Letícia Garcia (Prêmio Leonor Carolina Corrêa de Oliveira) e Marcos Cordeiro (Prêmio Edmir Domingues).
       
   

Inspirada nos moldes da Academia Francesa, foi, em 26 de janeiro de 1901, fundada a Academia Pernambucana de Letras por Joaquim Maria Carneiro Vilela e um grupo de intelectuais radicados no Recife.
As reuniões da APL eram realizadas no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Em 1966, o governador do Estado, Paulo Guerra, desapropriou um casarão, que pertenceu ao Barão Rodrigues Mendes, doando-o à Academia, em regime de comodato.

   
 
           
 
Mas foi no governo de Eraldo Gueiros que se consolidou legalmente a doação. O jornalista José de Souza Alencar, Alex, está há mais de 30 anos na Academia e colaborou na sua formação. “Entrei logo depois que foi inaugurada. A casa foi entregue só com dois móveis e uma mesa grande. Nós tínhamos que fazer tudo para torná-la uma Casa pernambucana. Juntamente com a senhora Maria do Carmo Vilaça, saíamos pedindo cadeiras antigas e doações às pessoas”, afirma o acadêmico.
Obras de arte também foram doadas, em sua maioria, pela sociedade pernambucana da época. Inclusive pelo Arcebispo Dom Helder Câmara. Nos próximos meses será inaugurada a biblioteca da APL. Todo o seu acervo está sendo catalogado. Mais de 33 mil livros ficarão disponíveis para consultas do público.

 
   
 
   
 
Ao contrário da Academia Brasileira de Letras, onde os acadêmicos usam o fardão, a APL preferiu substituí-lo por um colar dourado, com medalhão distintivo. Inicialmente a Academia só tinha 20 acadêmicos, depois aumentou para 30 e em 1960 passou para 40, tornando-se, assim, um número padrão, podendo, hoje, ter a mesma quantidade de sócios correspondentes, residentes em outros Estados ou no Exterior.
Para se tornar membro é necessário que se tenha uma vaga, quando falece um dos acadêmicos. “Após a morte do acadêmico, anunciamos oficialmente a vaga. No período de 30 dias, qualquer pessoa poderá se candidatar, apresentando um currículo e os livros que publicou. Em seguida, a presidência nomeia uma comissão para selecionar os candidatos que serão depois eleitos pelos membros da Casa”, afirma o atual presidente da Academia, Waldênio Porto.
Ele ainda enfoca que a Academia é aberta ao público que também pode assistir às reuniões dos acadêmicos que se realizam toda segunda e última segundas – feiras do mês, às 16h30, na instituição. “Convidamos inclusive os colégios para assistirem. Nós temos essa preocupação de ir até a comunidade, pois a finalidade é defender a pureza da língua, promovendo o gosto pela leitura e estimulando novas vocações literárias”, afirma o presidente.

   
 
     
 
>> Raphaela Nicácio é jornalista, pós-graduada em jornalismo cultural, editora responsável pelo Portal do Escritor Pernambucano