Lições de um mestre |
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.................................................................................................................................................................................................................Raphaela Nicácio
Imigrante libanês, Salim Miguel chegou ao Brasil aos três anos de idade, em 1927, acompanhado da família. Essa aventura, “às cegas”, originou o seu último e premiado romance “Nur na escuridão”, marco de sua jornada literária, que traça de forma ficcional sua chegada ao país. “Meu último romance comecei a escrever em 1948. Rasguei muito mais do que publiquei”, diz Salim. Sua familiaridade com a língua portuguesa surgiu de forma autoditada, aprendendo através do convívio diário com os vizinhos. A princípio foi alfabetizado em árabe e alemão na cidade de Biguaçu-SC, onde passou a infância . Em recente palestra realizada na VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, o escritor narrou suas experiências como um profissional das letras, sobre sua atuação na área editorial, gráfica e jornalística. “Não é a quantidade que marca um autor e sim a qualidade. O livro pode não mudar o mundo, mas pode mudar, mexer, uma pessoa. Não há nada que substitua o livro”, enfoca. Segundo Salim, o retorno de uma obra para os leitores é a preocupação maior que o autor deve ter. “Certa vez uma jovem de Belém do Pará me disse que gostou muito de um livro meu. Perguntei o porquê e ela me surpreendeu dizendo que gostou porque simplesmente se sentiu fazendo parte de uma família. Eu quero que um imigrante libanês, italiano ou de qualquer outra nacionalidade se sinta, justamente, como um membro da família dos meus livros”. Entre as diversas manifestações de reconhecimento literário, o escritor recebeu o “Prêmio Machado de Assis” da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da obra. Mesmo diante das limitações físicas, o fazer literário continua sendo a sua maior motivação. O escritor tem uma retinopatia degenerativa, que acarretou perda parcial da visão. O que parece ficção foi mais uma das histórias vividas por Salim. Em Biguaçu Salim lia em voz alta para João Mendes um proprietário cego de uma livraria que o incentivou para o gosto das letras. Hoje, é sua esposa que o ajuda nas leituras. “Tem uma frase ótima do João que adoro “Eu sei o que sei, sei o que não sei. O que não sei é mais do que sei”. Se eu achar um dia que sei estou perdido! Preciso continuar aprendendo com a palavra que tem cheiro de saber”.
Raphaela Nicácio é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural, e editora do Portal do Escritor Pernambucano.
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