A paixão pela poesia de Fernando Pessoa
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Gabriela Ribeiro
As várias identidades de Fernando Pessoa, a imensidão da sua obra e a paixão pelo autor foram expostas pelo advogado e escritor José Paulo Cavalcanti Filho, que prepara uma biografia sobre Pessoa, prevista para ser lançada no próximo ano, e pela jornalista portuguesa Inês Pedroza, diretora da Casa de Fernando Pessoa, em Lisboa. Na conferência realizada neste domingo, último dia da Fliporto, o público assistiu a uma conversa sobre o autor que teve um livro de prosa transformado em best-seller. A relação de diversos escritores brasileiros com a obra de Pessoa foi apresentada por José Paulo. Ariano Suassuna, Ascenso Ferreira, Machado de Assis, Manuel Bandeira, entre outros, foram citados pelo escritor, que identificou em trechos de poesias de cada um, uma ligação clara com a produção literária de Pessoa. Em sua pesquisa para a elaboração do livro, o escritor disse ter encontrado mais de 100 heterônimos ligados ao Brasil. “A cada passo da leitura o Brasil vem à mente”, declara. Na biografia, José Paulo tenta buscar explicações para o que Pessoa escreve nas suas obras e tenta decifrar o que está por trás das palavras do autor. “Pessoa brincava com o impreciso das palavras. Ele escreveu por códigos e eu tento traduzi-los para o leitor”, explica. A biografia é, segundo o escritor, um livro que decifra os códigos e deixa claro para o leitor o contexto da criação daquela poesia e o que Pessoa gostaria de dizer . “Todos os livros que eu li sobre Pessoa são chatos. Não tenho ideia se esse será um livro que as pessoas gostariam de ler, sei que é um livro que eu gostaria de ler”, garante. O lado publicitário de Pessoa também foi comentado pelos palestrantes, que citaram a criação do slogan da Coca-Cola, em Portugal, feita pelo escritor, que dizia “Primeiro entranha-se, depois estranha-se”. No livro, José Paulo reserva um espaço em que trata do desempenho de Pessoa na criação publicitária. O fascínio pela obra de Fernando Pessoa compartilhada pelos dois palestrantes mostrou ao público que Fernando Pessoa foi surpreendente na criação literária e que a sua poesia é infinita.
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