Eduardo Galeano – entre a ficção e a política
O escritor uruguaio abre a quinta edição da Fliporto narrando as dores e os anseios humanos

 
     
 
Raphaela Nicácio

“Não sei se serei lembrado no futuro, mas provavelmente serei lembrado como aquele cara que viu as gravuras de J.Borges”, essa foi umas das frases inaugurais do escritor uruguaio Eduardo Galeano. O tom de brincadeira não permite, nem mesmo para os leitores desavisados, esquecer a importância da obra do autor para a literatura. A conferência de abertura “Os espelhos da memória”, realizada no primeiro dia de Fliporto (05/11), deu uma pequena mostra da densidade do autor.

Apresentado pelo escritor Cláudio Aguiar, Eduardo Galeano fez uma leitura do seu livro “Espelhos – uma história quase universal” que analisa a história da humanidade desde os primórdios à contemporaneidade na visão dos que estão à margem da história oficial.

Afirmações e questionamentos como “Adão e Eva eram negros?”, “todos somos africanos emigrados” revelou o quanto as transformações do mundo no passado e no futuro se misturam na obra de Galeano de forma expansiva, sem fronteiras. “Eu não acho as mulheres melhores do que os homens, nem os índios e negros melhores do que as outras pessoas. Luto por um mundo onde todos podem ter as mesmas oportunidades”, diz o escritor.
Eduardo Galeano ainda fala de racismo, a lição que o presidente do EUA deixou para igualdade dos direitos humanos, da política mundial, do muro de Berlim e de tantos outros muros. “O século XXI deixou um mundo cheio de sangue. Por que será que há tantos muros? Por que será?”.

Sobre Eduardo Galeano

Nascido em Montevidéu sonhava na infância ser jorgador de futebol, desejo retratado em algumas de sua sobras como “O futebolde sol a sombra” . Em 1960, iniciou sua carreira jornalística como edtor do “Marcha”, jornal semanal que tinha como colaboradores Mario Benedetti e Mario Vargas Llosa. Foi editor-chefe do jornal universitário e editor do diário “Época”. “As Veias Abertas da América Latina” é considerada pela crítica especializada como sua obra-prima. A história da América Latina é analisada desde o período colonial até a contemporaneidade. A exploração política e econômica do povo latino-americano pelos EUA e Europa é criticada.