Raphaela Nicácio
“Antônio pretende é despertar o autor nordestino para o que ele me disse esta semana: “A Criação de uma identidade brasileira”. Pois, somente, após estar de posse dessa identidade, nós seremos universais e conquistaremos uma posição no mundo”, afirmou o escritor Cyl Gallindo, durante homenagem na Livraria Cultura, ao escritor, acadêmico, advogado, Antônio Campos, no dia 29/03. A iniciativa faz parte do programa “A Cultura e a Arte em Pernambuco”, promovido pela União Brasileira de Escritores de Pernambuco (UBE-PE). “Nesta temporada o primeiro homenageado é escritor, poeta, editor e acima de tudo um bom amigo do livro. Antônio Campos trabalha com dedicação para o fortalecimento da literatura pernambucana”, diz o coordenador do programa Cássio Cavalcante.
Filho do escritor e poeta da Geração 65, Maximiano Campos, Antônio Campos tem diversos livros publicados, é articulista do Jornal do Brasil, presidente do Instituto Maximiano Campos - IMC (www.imcbr.org.br), curador da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), membro da Academia Pernambucana de Letras (APL), da Academia de Artes e Letras de Pernambuco (AALPE) e da UBE-PE. Também pertence ao Conselho da Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP), 2º Conselho de Contribuintes da Receita Federal e Co-fundador do Instituto de Direito Privado da Faculdade de Direito do Recife. Durante a homenagem, o escritor Cyl Gallindo recordou sua amizade com Maximiano, dos trabalhos desenvolvidos por Antônio Campos e da antologia, que organizou com o autor, “Panorâmica do Conto em Pernambuco”
“Com essa ideia de criação da identidade nacional, cavalgando o cavalo de Baraúna (um dos personagens de Maximiano), Antônio, junto com Arnaldo Niskier e Gilberto Freyre Neto, foram até Estocolmo. Lá nos jardins da Academia Sueca, exatamente a que concede o Prêmio Nobel de Literatura, Ciências, Medicina, da Paz. Munido da experiência adquirida com as Fliporto sobre América Latina, África, Península Ibérica e já agora de Cultura Judaica, defendeu a tese de que o Brasil precisa estar acompanhado de uma diplomacia cultural que deve mostrar a produção intelectual brasileira, para o mundo”, enfoca Gallindo.
A poeta, professora e editora do site Plataforma para Poesia (www.plataforma.paraapoesia.nom.br), Cláudia Cordeiro, destacou a relação de amizade do poeta Aberto da Cunha Melo com Maximiano Campos, contou sua experiência de organizar com Antônio Campos a antologia “Pernambuco Terra da Poesia – Um painel da poesia pernambucana dos séculos XVI ao XXI” e falou da admiração que sentia pelo homenageado. “Quando se fala em diálogo, diplomacia, tenho certeza de que Antônio Campos será um grande representante nosso fora do país. Independentemente da aspereza que se é fazer cultura hoje em dia, existe luz. E estou feliz em estar no mesmo caminho que ele”, diz Cláudia Cordeiro.
Analisando a produção literária de Antônio Campos, o escritor Luiz Carlos Monteiro apresentou, também, um painel do poeta e do produtor cultural. “Eu acompanho desde 2004, o trabalho de Antônio. Minha ligação veio porque eu sempre tive admiração por Maximiano Campos. Agora estaremos juntos organizando a antologia “Cronistas de Pernambuco” que será lançada em novembro, na Fliporto”, revela Carlos Monteiro.
A transfiguração do mundo pela arte, a palavra poética e a fusão dos diálogos na cultura foi destacada por Antônio Campos que se prepara para estar à frente da sexta edição da Fliporto que, neste ano, prestará homenagem à escritora Clarice Lispector. Assim como a literatura é um canto inesgotável, novas produções, obras, coletâneas, estão a caminho para serem lançadas pelo autor. “A criação é um ato solitário, mas deve ser solidário. A arte é um diálogo e o que faço são diálogos culturais. Agradeço esta homenagem a todos que também dialogam com a cultura”, diz Antônio Campos.


>> Raphaela Nicácio é jornalista, graduada pela faculdade AESO; pós-graduada em Jornalismo Cultural pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap); editora do Portal do Escritor Pernambucano.