Nos caminhos da Iberoamérica
Novos mundos reais e imaginados tecem a Iberoamérica

 
     
 
Raphaela Nicácio

Lauretino Gomes, José Carlos Venâncio, Ana Luiza Beraba em conversa com o jornalista Mário Hélio discutiram o conceito e as influências ibéricas na literatura no segundo dia de Fliporto (06/11).

O escritor e jornalista, Laurentino Gomes, é conhecido pelo seu best-seller “1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil” que narra a chegada da corte portuguesa ao Brasil. A obra recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura e o prêmio de melhor livro de ensaio da Academia Brasileira de Letras. “Nós não temos nada a comemorar com a vinda da Corte. A herança portuguesa foi boa ou ruim? Somos melhores sem eles?”, esses foram alguns dos questionamentos levantados pelo jornalista.

Segundo ele, o que existe é um contraponto em relação a Portugal e o Brasil. “Os brasileiros culpam os portugueses pela situação atual. A corte enfraqueceu o país deixando como consequências a desigualdade social. Já em Portugal há um sentimento de nostalgia e mágoa pelo Brasil não ser grato com as colaborações portuguesas”, enfoca Laurentino.



Os termos “Lusotropicalismo” e o “Iberotropicalismo” foram apresentados pelo professor angolano José Carlos Venâncio e estão presentes na obra de Gilberto Freire. “O lusotropicalismo está em Casa Grande e Senzala e no nordeste brasileiro. Mexe no contexto de frente do pensamento freudiano”, diz o professor.

Para a escritora carioca, Ana Luiza Beraba, autora do livro “América Aracnídea”, a América Latina já nasceu com o ranço do subdesenvolvimento e os próprios latinos sentem preconceito de consumir, interagir com o que é produzido pelos seus vizinhos. “Você compraria um tênis made in Paraguai? Há uma relação muito forte de preconceito. E não tem como mudar essa postura”, alerta a autora.