PernambuCabral um território a ser explorado
O escritor Antonio Carlos Secchin apresenta o universo de João Cabral de Melo Neto

 
     
 
Raphaela Nicácio

Quantos Joãos existem na obra de João Cabral de Melo Neto? A difícil resposta foi dada pelo escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Carlos Secchin na conferência “PernambuCabral”, realizada no terceiro dia de Fliporto (07/11).

Para Sechin, a poesia de Cabral está entre Pernambuco e Espanha. Mas a pluralidade maior em suas poesias encontra-se mesmo em Pernambuco. “Temos em João Cabral um Pernambuco geográfico, biográfico, de manifestação cultural. Tudo gira em torno desses signos. A faceta histórica dá margem a vários poemas narrativos; as poesias geográficas não são meramente descrições de paisagens, o que há é uma politização da geografia; e nas poesias memorialistas encontramos um memorialismo autobiográfico, ele falando dele mesmo”, afirma o escritor.

João Cabral de Melo Neto é conhecido pelo seu rigor estético. “O início de sua vida é um encontro do desencontro na maturidade. As esquinas novas dele, são as esquinas do desastre”, enfoca. A Espanha também exerceu forte influência em seus versos. A convivência espanhola liberou o lado erótico do poeta. “No poema Jogo frutal ele invoca através das frutas a sensualidade. Não encontramos um jogo floral de delicadeza”, diz Sechin que também levantou outros pontos de Cabral como sua relação com o futebol e a literatura brasileira. Há registros de diversos poemas e livros dedicados a autores brasileiros. Somente para o poeta Joaquim Cardoso ele fez seis poemas.