Gabriela Ribeiro
A ligação entre poesia e música pautou um dos debates deste sábado na programação da Fliporto. Um dos famosos mais aguardados entre os participantes do evento, Arnaldo Antunes, falou sobre a naturalidade com que a arte passou a fazer parte da sua vida, e o pernambucano Silvério Pessoa apresentou o seu projeto que trata das influências da cultura occitan no Nordeste. Os pontos de ligação entre as duas culturas foram destacadas por ele, como a música e dança. “Nós encontramos semelhança geográfica, política e cultural. O acordeom, por exemplo, serve de elo entre a musicalidade das duas culturas”, explica.
Definida pelo mediador do debate, Marcelo Pereira, como a “mesa mais pop da Fliporto”, a palestra teve tom de conversa, com direito a declamações de poemas feitas por Arnaldo Antunes, como O Pulso, que fez sucesso através do ex-grupo musical do artista, o Titãs. Apesar de admitir uma ligação forte entre a sua poesia e música, ele afirma que o processo de criação é bem diferente em cada um dos casos, já que eles têm suas especificidades. “A poesia tem uma contemplação solitária“, diz.
A poesia concreta, que tem grande influência sobre as obras do artista, também foi citada no encontro. Arnaldo defendeu a poesia lúdica e declarou estar “sempre em busca de um processo criativo mais evidente”. Para ele, a linguagem deve ser tratada conscientemente, buscando a melhor aplicação da palavra, clareza e objetividade.
O artista, que é responsável pela produção da arte gráfica dos seus próprios livros, acredita que o recurso visual faz parte da poesia. “Eu não acho que os recursos gráficos sirvam como um adorno na minha poesia e sim, fazem parte dela”.
Quando o assunto é a comparação feita entre as duas artes, em que a música sai perdendo por atingir a massa, enquanto a poesia chega a um público de nível intelectual mais elevado, Arnaldo se aborrece e diz que esse tipo de visão é totalmente preconceituosa, mostrando que a música e a poesia ocupam o mesmo espaço na sua vida artística.
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