Raphaela Nicácio
“Eu acredito acima de tudo no amor. A literatura fala muito mais da espera, do fracasso amoroso. O insucesso do amor é muito mais estético”, confessou a escritora Tatiana Salem Levy, na primeira palestra de encerramento da Fliporto (08/11), “Amor, desamor e amizade na literatura” sob a mediação do jornalista Mário Hélio. O premiado escritor Cristovão Tezza também narrou um pouco sobre suas obras com nuances autobiográficas.
As relações de amor e ódio com livros de outros autores foram uns dos pontos levantados por Tatiana Salem, autora da obra “A Chave da Casa”. “Clarice Lispector foi minha primeira namorada. Era uma relação de muito ciúmes. Eu sinta muitos ciúmes quando um amigo meu falava que estava lendo Clarice. Com o tempo a relação passou para um desamor pois comecei a achá-la depressiva. Comecei a odiá-la. Depois passamos para amizade. Amor e ódio se mistura muito”, afirma a autora.
Para Cristóvão Tezza, a noção de amor no passado era mais revolucionária. Havia uma transformação social. O ato de escrever cartas dava o tom romanesco. “Eu aprendi a escrever cartas. Escrevi 72 cartas de amor a minha mulher Beth quando morava em Portugal. E alguns de meus livros têm um pouco disso”, diz Tezza. Em seu livro “O Filho Eterno” que aborda os conflitos de um homem que tem um filho com Síndrome de Down, o escritor utiliza-se da narrativa para falar sobre sua relação de amor de amor com seu filho que tem a síndrome. “É uma história de tensão amorosa com duras penas entre um filho. A noção de amor para a criança é de pura imitação teatral. A criança imita os abraços e beijos. A literatura existe para destravar essas experiências”, enfatiza.
Cristovão Tezza possui um extenso currículo literário. Entre os prêmios literários de destaque nacional estão o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional (melhor romance do ano) com o livro “Breve espaço entre cor e sombra”, o Prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor romance do ano e o Prêmio Bravo! de melhor obra com o livro “O fotógrafo”.
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